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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Um passeio na cidade histórica de Diamantina

Ruas históricas de Diamantina
Centro histórico de Diamantina

Diamantina surpreende o visitante não só pelo seu belo casario histórico, constituindo nos dias de hoje uma das  mais preservadas cidades do ciclo do ouro e diamante de Minas Gerais, como também pelo resgate da música, especialmente as serestas.
Por ocasião do concessão do título de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1999, foi resgatada a tradição de músicos da cidade fazerem apresentações ao vivo, dispostos nas sacadas dos casarões históricos, na Rua da Quitanda, centro histórico de Diamantina, denominado Vesperata.


A música em Diamantina


Músicos seresteiros de Diamantina
Músicos seresteiros de Diamantina


O  presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, orgulho dos diamantinenses,  notabilizou Diamantina pelas seretas que ele tanto apreciava e fazia questão de participar percorrendo com os músicos as ruas estreitas, íngremes e calçadas de pedra, iluminados pela lua e lampiões da cidade.
E ainda hoje a cidade de Diamantina respira música. Os hotéis, pousadas, bares e restaurantes, agentes de turismo, enfim toda a cidade se mobiliza para manter viva a tradição e receber os inúmeros turistas que visitam à cidade, principalmente na época das vesperatas e carnaval.

Vesperata



Vesperata em Diamantina
Vesperata que ocorre na rua da Quitanda

As Vesperatas, motivo de maior atração turística na região, são concertos promovidos pelas bandas de música da cidade, onde os músicos se apresentam nas sacadas do casarões coloniais da rua da Quitanda, e os maestros os regem do centro da rua, misturando-se com a platéia.  As apresentações são em datas pré-agendadas normalmente duas vezes por mês, nos meses de abril a outubro, estação de seca na região. Veja o calendário das apresentações aqui.

A Agência de Viagens e Turismo Minas Gerais é a responsável pela venda das mesas da Vesperata de Diamantina na temporada de 2015. A mesa possui quatro lugares, o valor é fixado pela Prefeitura,   sendo comercializada no ano de 2015 a R$160,00.
O hotel ou pousada que você faz a reserva também pode incumbir-se de adquirir os voucher da mesa para assistir à Vesperata.

Não é obrigatório a compra de mesa. Se você se dispuser a chegar cedo e ficar de pé encostado nas paredes dos casarios dá para participar do evento, mas ficará no seco, os bares só servem as pessoas que estão sentadas às mesas reservadas.

Saiba que o calçamento do centro histórico de Diamantina é formado por pedras com desníveis, portanto é aconselhável usar sapatos confortáveis, e portar um casaco, mesmo no verão a noite em Diamantina pode ser fria devido à altitude.

Seresta



Músicos em seresta percorrendo as ruas da cidade de Diamantina
Músicos em seresta percorrendo as ruas da cidade de Diamantina


É tradição também na cidade, na época da vesperata, às sexta-feira seresteiros percorrerem as ruas da cidade arrastando uma público participativo, cantante, e cheios de emoção.

Aos sábados, pela manhã, ocorre a Feira de Artesanato com música ao vivo no Mercado Municipal.

Músicos reunidos na rua da Quitanda num domingo pela manhã
Músicos reunidos na rua da Quitanda num domingo pela manhã

Sarau da Arte Miúda

Sarau da Arte Miúda na Igreja São Francisco de Assis
Sarau da Arte Miúda na Igreja São Francisco de Assis

Aos domingos o imperdível Sarau da Arte Miúda, coral formado por crianças que participam da escola livre de artes integradas, enfatizando a música, com o objetivo de preservar a tradição musical da cidade.
O Sarau ocorre na Igreja São Francisco de Assis (1762) comandado pela dedicadíssima professora e maestrina Soraya Ferreira. A apresentação dura uma hora e meia de pura emoção. Todos encantam com as encenações, as músicas, o coral das crianças, e o público é levado a participar da festa também. É apoteótico.

Os casarões coloniais e igrejas de Diamantina


Diamantina exibe um conjunto arquitetônico da época colonial rico e preservado. Suas construções são sobrados de dois a três pavimentos, e quase todos ostentam sacadas  com ornamentos de ferro fundido.  As igrejas do período barroco representam a riqueza e a opulência da cidade no período áureo da corrida do ouro e da extração de pedras preciosas no Século XVIII.

Passadiço da Glória, cartão postal da cidade
Passadiço da Glória (1876), sua função era preservar as internas dos olhares curiosos quando atravessavam a rua.


casarão histórico em Diamantina

centro histórico de Diamantina

Chafariz de 1889, revitalizado em comemoração do 1. Centenário de Diamantina, 1838-1938
Chafariz de 1889, revitalizado em comemoração do 1. Centenário de Diamantina, 1838-1938

Catedral Metropolitana de Santo Antônio da Sé
Catedral Metropolitana de Santo Antônio da Sé


Igreja Nossa Senhora do Carmo com a torre na parte de trás.
Igreja de N. Sa. do Carmo, a torre na parte de trás da igreja deve-se a uma exigência da famosa escrava Chica da Silva

O artesanato e as compras


Diamantina apresenta um rico e variado artesanato. São encontradas peças em madeira, destaque para os oratórios, cada um mais rico e ornamentado que o outro, para as peças em palha de milho como bonecas, flores, etc. os tapetes arraiolos, bordados em ponto cruz, artesanato de capim dourado, e sempre-viva.
Porém, destes todos, os que mais me encanta são as peças originárias do Vale do Jequitinhonha onde produz-se um excelente e criativo artesanato em cerâmica. As peças seguem um estilo próprio e algumas conseguem preços consideráveis.

Bonecas em cerâmica do Vale do Jequitinhonha
 Bonecas em cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Loja de artesanato em Diamantina
Loja de artesanato em Diamantina

Quando ir:


A melhor época para ir a Diamantina é durante a apresentação da vesperata que ocorre nos meses de abril a outubro, estação de seca na região. Situada a 1.250m de altitude Diamantina tem um clima aprazível, a temperatura média gira em torno de 18ºC
As festividades da Semana Santa - Páscoa e Carnaval costumam atrair muitos turistas para a cidade.
Rua da Quitanda, point de maior atração da cidade
Rua da Quitanda, point de maior atração da cidade

Onde ficar:


Como a cidade é calçada de pedras e muita ladeira, o melhor para se hospedar  é no centro histórico próximo a Praça do Mercado Velho e da Rua da Quitanda, onde há a maior concentração de bares e restaurantes,  e próximo à Catedral Metropolitana, Igreja de São Francisco, Museu do Diamante e outras atrações, todos alcançáveis por um passeio a pé.
Nesta área encontra-se pousadas instaladas nos antigos casarões com mobiliário de época, que oferecem conforto e requinte. Veja no blog a descrição da Pousada Relíquias do Tempo em Diamantina
Fachada da Pousada Relíquias do Tempo, Centro Histórico.
Fachada da Pousada Relíquias do Tempo, Centro Histórico.

Como Chegar:


Localizada na região do Vale do Jequitinhonha, Belo-Horizonte, a capital mais próxima de Diamantina, fica a  300km de distância, Brasília 720km. Existem poucos acessos asfaltados para Diamantina.
Saindo de Belo-horizonte o acesso é pela BR040 (Rio - Brasilia) , depois de  Caetanópolis  pegar a BR135,  em Curvelo seguir pela BR259, passar pelas cidades de Presidente Juscelino, Gouveia até alcançar a cidade de Diamantina.
Saindo de Brasília, próximo a Felixlândia pegar o acesso para a BR259, seguir pela BR259, passar pelas cidades de Curvelo, Presidente Juscelino, Gouveia até alcançar a cidade de Diamantina.
Fizemos o trajeto Brasília - Diamantina de carro em setembro de 2014, surpreendentemente as rodovias estavam bem conservadas e sinalizadas, próximo a Diamantina existem curvas sinuosas.

Outra cidade histórica mineira que concorre com Diamantina nos casarios históricos, nas ricas igrejas adornadas e na preservação dos ritos religiosos é a cidade de São João del Rei, acesse a matéria Semana Santa em São João del Rei.